1 a 5 de Março de 2010 no Teatro Lethes (iniciativa TMF - Carta Branca a Anabela Moutinho)

Dia 1 21h30 Wendy & Lucy Kelly Reichardt, EUA, 2008, 80' escolha de Ricardo Vieira Lisboa

Dia 2 21h30 Luz Silenciosa Carlos Reygadas, México, 2007, 136' escolha de Carlos Natálio

Dia 3 21h30 Tetro Francis Ford Coppola, EUA, 2009, 127' escolha de Chico

Dia 4 21h30 Vem e Vê Elem Klimov, URSS, 1985, 145' escolha de Victor Afonso

Dia 5 14h30 História(s) do Cinema Jean-Luc Godard, França, 1998, 268' escolha de Cristina Marti

Dia 5 21h30 Mesa-Redonda com os 5 bloggers

Mostrar mensagens com a etiqueta o homem que sabia demasiado. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta o homem que sabia demasiado. Mostrar todas as mensagens

sábado, março 5

mesa-redonda com os 5 bloggers

TEATRO LETHES, SÁBADO, DIA 5 DE MARÇO, 21H30, ENTRADA LIVRE

Carlos Natálio, 30 anos, nasceu em Lisboa e mora na Portela de Sacávem. É licenciado em cinema (Escola Superior de Teatro e Cinema) e também em Direito (Faculdade de Direito de Lisboa). Nos últimos anos, após a conclusão da licenciatura em cinema estagiou no Departamento de Programação da Cinemateca Portuguesa e foi bolseiro INOVART em Amesterdão onde desenvolveu junto da VISIONAT Media, uma produtora de cinema, as actividades de investigação e formação em novos métodos de distribuição cinematográfica numa lógica «do it yourself». De momento, frequenta o mestrado na Universidade Nova em Ciências da Comunicação - Ramo Cultura Contemporânea e Novos Media. Tem o blog Ordet desde 2009. Colaborou também como crítico de cinema para o site www.c7nema.net entre 2002 e 2009.

Chico, 36 anos, é natural e reside em Sobral de Monte Agraço. Técnico de Compras numa empresa de aviação. O seu blog My One Thousand Movies tem dois anos e meio e já disponibilizou mais de 2700 filmes. Teve vários blogs desde 2002, mas este é o que único que tem durado, em parte por causa do feedback. Tem neste momento outro, sobre um jogo de futebol online (sunday-league.blogspot.com).

Cristina Marti, 44 anos, nasceu e vive no Porto onde trabalha em artes gráficas (na tarefa técnica de preparar os trabalhos antes de irem para a gráfica). O blog Dias Felizes, que mantém com Rui Manuel Amaral, foi criado em finais de 2004. Antes disso participou num blogue colectivo chamado janela indiscreta que pertenceu à primeira ou segunda leva de blogues portugueses.

Ricardo Vieira Lisboa, 20 anos, de Lisboa, jovem universitário. O seu blog Breath Away tem três anos de existência e passou por várias fases, mas anda estável há quase um ano e meio, com uma média de 2 publicações por semana e algumas rubricas recorrentes que dão muito prazer ao autor.

Victor Afonso, 41 anos, natural do Sabugal, residente na Guarda. Professor de Educação Musical. Há dez anos que se dedica a tempo inteiro à Programação Cultural e coordena, há 5 anos, o Serviço Educativo do Teatro Municipal da Guarda. É músico (projecto Kubik) e foi jornalista freelancer em matéria de assuntos culturais durante 15 anos. É autor do blog O Homem Que Sabia Demasiado desde Novembro de 2007, dedicado a uma grande diversidade de temas culturais, com especial enfoque no cinema, música e literatura.

quinta-feira, março 3

o blogger escreve sobre o filme que escolheu: VEM E VÊ

TEATRO LETHES, 6ªF, DIA 4 DE MARÇO, 21H30, 3€

É um dos mais impressionantes filmes de guerra jamais realizados. Chama-se "Vem e Vê" (título retirado do livro do Apocalipse) e foi realizado pelo russo Elem Klimov em 1985. Klimov nunca mais voltou a realizar depois desta obra. Porquê? Simplesmente porque, segundo o próprio, tudo o que tinha a dizer disse-o neste brutal documento sobre a segunda guerra mundial. E assim é.

A história é a de um adolescente (um rapaz de 16 anos) que testemunha os horrores Nazis cometidos em aldeias da Bielorússia (dizimaram 600 aldeias!). Uma descida total, frenética e sem concessões aos abismos da mais pura loucura que nem o Coronel Kurtz em "Apocalypse Now" terá experienciado. Uma descida aos infernos de pura alucinação e horror psicológico derivados da violência e do desespero presenciado pelo ingénuo rapaz. E não se trata de mera ficção, uma vez que "Vem e Vê" parte de um episódio verídico ocorrido durante a segunda Guerra Mundial.

Foram usados uniformes verdadeiros e munição real, para acentuar o realismo do filme, e quase toda a película foi filmada com recurso a "Steadycam" (incrível trabalho de câmara), fazendo parecer que a câmara se cola permanentemente à acção e aos personagens. O protagonista Florya (interpretado por um espantoso actor de nome Alexei Kravchenko) tenta fugir dos horrores sem deles conseguir escapar. Kravchenko tem, aqui, uma das mais incríveis interpretações do cinema levadas a cabo por um adolescente. O terror está estampado no rosto como que se fosse esculpido de angústia e perplexidade. O jovem passou por verdadeiras privações durante a rodagem do filme, de tal forma que o realizador Klimov quis hipnotizá-lo, nas cenas mais violentas, para não as não presenciar! O jovem actor recusou.

Há outros elementos fulcrais no filme que o tornam único. A primeira metade do filme lembra "A Infância de Ivan" (1962) de Tarkovski, sobretudo nas sequências na floresta, plenas de lirismo visual filmadas em plano-sequência com uma brilhante fotografia. A segunda metade do filme, quando a violência desponta e o desnorte se apodera do jovem, entramos num patamar de demência raramente vista em filmes de guerra. A música original é densa e claustrofóbica e o trabalho de sonoplastia é de pura mestria (como quando o Florya fica surdo devido a uma explosão: o som que ouvimos é um som cavo e filtrado, tal e qual o que o protagonista sentia).

E depois, depois há o final. Um final absolutamente surpreendente e apocalíptico, que não deixa margens para dúvidas: Elem Klimov fez um filme para denunciar a tragédia do Holocausto e revelar ao mundo a pura e dura natureza malévola do homem. Esse final, de alguns minutos sufocantes, é constituído por momentos de grande tensão dramática, com o jovem Florya, possesso de raiva, rosto envelhecido e revoltado perante as atrocidades que não compreendia, dispara contra um quadro de Hilter estendido no meio da lama. Ouve-se o "Requiem" de Mozart e vemos as imagens de arquivo da ascensão do Nazismo fazerem um retrocesso no tempo, ao ritmo dos disparos de Florya. "Vem e Vê" é uma experiência de cinema verdadeiramente arrebatadora e difícil de suplantar. E será certamente um dos melhores filmes de guerra jamais feitos. Uma obra-prima de rara beleza estética, artística e de inequívoca grandeza documental/histórica.

Victor Afonso

Victor Afonso, 41 anos, natural do Sabugal, residente na Guarda. Professor de Educação Musical. Há dez anos que se dedica a tempo inteiro à Programação Cultural e coordena, há 5 anos, o Serviço Educativo do Teatro Municipal da Guarda. É músico (projecto Kubik) e foi jornalista freelancer em matéria de assuntos culturais durante 15 anos. É autor do blog O Homem Que Sabia Demasiado desde Novembro de 2007, dedicado a uma grande diversidade de temas culturais, com especial enfoque no cinema, música e literatura.



(trailer sem som por problemas de direitos)
FICHA TÉCNICA
Título Original: Idi i smotri
Título português: Vem e Vê
Realização: Elem Klimov
Argumento: Ales Adamovich, Elem Klimov
Direcção de Fotografia: Alexey Rodionov
Música: Oleg Yanchenko
Montagem: Valeriya Belova
Interpretação: Alexey Kravchenko, Olga Mironova, Lyubomiras Lautsyavitchus, Vladas Bagdonas, Yurs Lumiste, Victor Lorents, Kazimir Rabetsky, Evgheniy Tilicheev, Alexander Berda
Origem: URSS
Ano de Estreia: 1985
Duração: 145’

domingo, fevereiro 27

post de 1 de 5 bloggers: O cinema substitui a escola

(de um homem que sabe muito)


Na minha última visita à livraria Bertrand tive uma agradável surpresa: deparei-me com a edição portuguesa de um livro do qual já havia 13 traduções internacionais e de que falei há já dois anos.
Trata-se de "O Clube de Cinema" (Pergaminho), que conta a verídica história de um pai que educa o seu problemático filho adolescente (que abandonou a escola) com recurso ao visionamento de uma criteriosa selecção de filmes.
Quando terminar de ler o livro, farei uma resenha no blogue.
Para perceber todo o contexto desta fantástica história, é favor ler este post.
____
Crítica do jornal O Globo acerca do livro:
"Um livro terno, franco e divertido. É (ler)

quinta-feira, fevereiro 24

post de 1 de 5 bloggers: O primeiro filme de Tim Burton

(de um homem que sabe muito)



A propósito do último "Playtime" (sobre a primeira película de Tim Burton), gostaria de referir que se trata de um dos meus filmes preferidos de Burton. Creio até que só os verdadeiros fãs do cinema de Tim Burton devem conhecer e apreciar a primeira longa-metragem do realizador - "A Grande Aventura de Pee-Wee" (1985). Isto porque se trata de um filme praticamente ignorado e subestimado no seio da filmografia tão singular de Tim Burton.

Este filme foi também o início da fantástica colaboração com o compositor Danny Elfman, o meu compositor para cinema preferido.

Esta obra, realizada pouco tempo (ler)

terça-feira, fevereiro 22

post de 1 de 5 bloggers: "Blade Runner" - Antecipar a realidade

(de um homem que sabe muito)



Ontem revi no canal Hollywood o clássico de ficção científica "Blade Runner - Perigo Iminente" (1982) de Ridley Scott.
De todas as qualidades do filme, realço o espantoso e claustrofóbico ambiente criado numa cidade futurista: o caótico movimento de pessoas nas ruas, o tráfego automóvel, o contraste entre o negro da noite e a cores dos néons, a permanente agitação de uma metrópole hiper-tecnológica. E "Blade Runner" é um filme tremendamente visionário (em 1982): para além de uma série de outras situações, em dado momento do filme, o (ler)

segunda-feira, fevereiro 21

post de 1 de 5 bloggers: O tabaco e os filmes

(de um homem que sabe muito)


As legislações mundiais anti-tabágicas estão a ficar cada vez mais restritivas - em vários países, até na rua já é proibido fumar.
Tempos houve em que a publicidade e a sociedade do consumo incentivavam o tabaco como sendo uma atitude "cool" e até "glamorosa".
Repare-se no cinema, por exemplo.
O que seria destas personagens se não fumassem nos filmes?
(ler)

domingo, fevereiro 20

post de 1 de 5 bloggers: Béla Tarr e o prémio

(de um homem que sabe muito)



O realizador húngaro Béla Tarr recebeu o Grande Prémio do Júri do Festival de Berlim.

Espero que este prémio corresponda a um crescente reconhecimento pelo seu filme (e a sua obra em geral) e, ao mesmo tempo, represente um incentivo para que Tarr não abandone a carreira e volte a filmar num futuro próximo (ler)

sexta-feira, fevereiro 18

post de 1 de 5 bloggers: Os irmãos Quay

(de um homem que sabe muito)



No cinema existem os irmãos Coen e os irmãos Quay.
Os primeiros são sobejamente conhecidos e reconhecidos - por causa dos Óscares por "Este País Não é Para Velhos" e as nomeações por "Indomável".
Já os segundos, os Quay, irmãos americanos e gémeos verdadeiros, gozam de muito menos popularidade, mas possuem altíssimo reconhecimento artístico dentro da área em que se movimentam.
Fazem cinema de animação, misturando múltiplas técnicas de animação (sobretudo bonecos, marionetas, objectos). O (ler)

quinta-feira, fevereiro 17

post de 1 de 5 bloggers: Os genéricos

(de um homem que sabe muito)



O João Lameira, a propósito do post abaixo deste, abordou quão importante é o genérico de um filme. E com toda a razão.
Sempre que penso em genéricos, lembro-me de um filme de Woody Allen (creio que "Annie Hall") em que a personagem interpretada pelo próprio realizador desiste de entrar na sala de cinema porque já tinha sido exibido o genérico inicial do filme. Faz sentido: podia ter perdido um genérico extraordinário. E o filme começa verdadeiramente no genérico (quando os há, porque o cinema contemporâneo aboliu muita dessa tradição).
Durante décadas, no período (ler)

quarta-feira, fevereiro 16

post de 1 de 5 bloggers: Cinema - O momento da revelação

(de um homem que sabe muito)

Todos os cinéfilos guardam na memória imagens marcantes de filmes, igualmente, marcantes. Mas raramente retêm aquelas imagens nas quais surgem incrustados os títulos dos filmes.
Tema de importância menor? Talvez. Mas como disse o Rato Cinéfilo num dos seus últimos comentários, a imagem ainda é uma componente fundamental na memória de qualquer cinéfilo.
Eis alguns exemplos de grandes obras de cinema e dos "screenshots" exactos dos respectivos títulos - ou seja, o "momento da revelação":
(ler)

terça-feira, fevereiro 15

post de 1 de 5 bloggers: Mais do que um mero filme sobre bruxaria

(de um homem que sabe muito)



O site dvdgo.com (que já esteve melhor do que agora) anunciou há tempos uma edição em DVD como um grande destaque editorial no panorama da cinefilia caseira. E, na verdade, não era para menos.
Tratava-se da versão especial remasterizada (som e imagem) de um dos mais míticos e sublimes filmes do período mudo: "Häxan", realizado em 1922 pelo cineasta dinamarquês Benjamim Christensen. "Häxan", um dos primeiros grandes filmes fantásticos de sempre (é do mesmo ano de "Nosferatu" de Murnau), documenta as perseguições movidas contra as feiticeiras e os actos de bruxaria numa Europa medieval conspurcada pela intolerância religiosa e pela Inquisição.
A prodigiosa fotografia do (ler)

segunda-feira, fevereiro 14

"Kavkazskaya Plennitsa, Ili Novye Priklyucheniya Shurika"

(de um homem que sabe muito)


O portal de cinema Imdb.com é um colossal site de informação sobre cinema. Já o sabemos. Por vezes dou-me ao trabalho de averiguar o que referem os tops e as listagens que estão anexadas ao portal - "os melhores filmes por décadas", "o top dos western, comédias", entre outras.
Quando há tempos vi o top de melhores filmes sob o género de "Music" (atenção que não é o mesmo que "Musical") deparei-me com duas surpresas e (ler)

domingo, fevereiro 13

A velhice e os filmes

(de um homem que sabe muito)


Gosto de filmes sobre velhos. É uma forma simplista de o dizer, mas é assim mesmo: filmes sobre velhos, ou sobre a velhice. E não encaro o termo “velho” com conotações pejorativas. Pelo contrário. É o tempo da maturidade, da sabedora e da experiência. Uma etapa de vida que impõe respeito, valorização e atenção. Tempo de reflexão serena sobre o tempo vivido e sobre o sentido da vida.
No cinema, é preciso que (ler)

sexta-feira, fevereiro 11

Davis, Bette Davis

(de um homem que sabe muito)



Vi há tempos, no canal 2 da RTP, um documentário sobre uma das grandes divas do cinema de Hollywood, Bette Davis.
Não sendo uma das minhas actrizes clássicas preferidas (eu é mais Greta Garbo, Marlene Dietrich, Maureen O’Hara, Joan Crawford ou Ingrid Bergman), fiquei deveras impressionado com o seu percurso artístico e de vida. Era conhecido o seu (ler)

quinta-feira, fevereiro 10

"Cisne Negro": jogo de espelhos

(de um homem que sabe muito)



Não é por acaso que Darren Aronofsky intitulou o seu último filme "Cisne Negro" e não "Cisne Branco". É bom de ver que o que interessou ao realizador foi explorar (como já o fizera em filmes seus anteriormente) o lado mais obscuro e negro da mente humana. É essa estranha força negra que tudo absorve, que tudo destrói. Daí o fascínio pelo lado negro e desconhecido da realidade...
A frágil e doce bailarina Nina é (ler)

terça-feira, fevereiro 8

Conduzir a olhar para o lado

(de um homem que sabe muito)



"Vou ao cinema de vez em quando, às sextas-feiras. Gosto de observar na escuridão as caras dos outros espectadores. E de notar os (ler)

segunda-feira, fevereiro 7

James Dean - O Mito

(de um homem que sabe muito)



Um dos mais míticos actores de sempre, James Dean, faria 80 anos, hoje, se fosse vivo. Clássico intemporal, "A Leste do Paraíso" (1955) de Elia Kazan, é um daqueles filmes míticos que marcaram várias gerações.
Baseado no romance homónimo do escritor John Steinbeck, "A Leste do Paraíso" é o primeiro dos três grandes filmes (os outros são "Rebel Without a Pause" e "Giant") que formam o legado cinematográfico de James Dean, o malogrado actor precocemente desaparecido num trágico acidente de viação.
James Dean, com (ler)

sábado, fevereiro 5

Turismo à conta dos filmes

(de um homem que sabe muito)



Para quem acumula o gosto pelo cinema e o prazer de viajar, nada melhor do que descobrir percursos de locais de rodagem de filmes. Há guias editados dos locais de filmagem do mundo inteiro, com especial destaque (ler)