TEATRO LETHES, SÁBADO, DIA 5 DE MARÇO, 21H30, ENTRADA LIVRE
Carlos Natálio, 30 anos, nasceu em Lisboa e mora na Portela de Sacávem. É licenciado em cinema (Escola Superior de Teatro e Cinema) e também em Direito (Faculdade de Direito de Lisboa). Nos últimos anos, após a conclusão da licenciatura em cinema estagiou no Departamento de Programação da Cinemateca Portuguesa e foi bolseiro INOVART em Amesterdão onde desenvolveu junto da VISIONAT Media, uma produtora de cinema, as actividades de investigação e formação em novos métodos de distribuição cinematográfica numa lógica «do it yourself». De momento, frequenta o mestrado na Universidade Nova em Ciências da Comunicação - Ramo Cultura Contemporânea e Novos Media. Tem o blog Ordet desde 2009. Colaborou também como crítico de cinema para o site www.c7nema.net entre 2002 e 2009.
Chico, 36 anos, é natural e reside em Sobral de Monte Agraço. Técnico de Compras numa empresa de aviação. O seu blog My One Thousand Movies tem dois anos e meio e já disponibilizou mais de 2700 filmes. Teve vários blogs desde 2002, mas este é o que único que tem durado, em parte por causa do feedback. Tem neste momento outro, sobre um jogo de futebol online (sunday-league.blogspot.com).
Cristina Marti, 44 anos, nasceu e vive no Porto onde trabalha em artes gráficas (na tarefa técnica de preparar os trabalhos antes de irem para a gráfica). O blog Dias Felizes, que mantém com Rui Manuel Amaral, foi criado em finais de 2004. Antes disso participou num blogue colectivo chamado janela indiscreta que pertenceu à primeira ou segunda leva de blogues portugueses.
Ricardo Vieira Lisboa, 20 anos, de Lisboa, jovem universitário. O seu blog Breath Away tem três anos de existência e passou por várias fases, mas anda estável há quase um ano e meio, com uma média de 2 publicações por semana e algumas rubricas recorrentes que dão muito prazer ao autor.
Victor Afonso, 41 anos, natural do Sabugal, residente na Guarda. Professor de Educação Musical. Há dez anos que se dedica a tempo inteiro à Programação Cultural e coordena, há 5 anos, o Serviço Educativo do Teatro Municipal da Guarda. É músico (projecto Kubik) e foi jornalista freelancer em matéria de assuntos culturais durante 15 anos. É autor do blog O Homem Que Sabia Demasiado desde Novembro de 2007, dedicado a uma grande diversidade de temas culturais, com especial enfoque no cinema, música e literatura.
1 a 5 de Março de 2010 no Teatro Lethes (iniciativa TMF - Carta Branca a Anabela Moutinho)
Dia 1 21h30 Wendy & Lucy Kelly Reichardt, EUA, 2008, 80' escolha de Ricardo Vieira Lisboa
Dia 2 21h30 Luz Silenciosa Carlos Reygadas, México, 2007, 136' escolha de Carlos Natálio
Dia 3 21h30 Tetro Francis Ford Coppola, EUA, 2009, 127' escolha de Chico
Dia 4 21h30 Vem e Vê Elem Klimov, URSS, 1985, 145' escolha de Victor Afonso
Dia 5 14h30 História(s) do Cinema Jean-Luc Godard, França, 1998, 268' escolha de Cristina Marti
Dia 5 21h30 Mesa-Redonda com os 5 bloggers
Dia 1 21h30 Wendy & Lucy Kelly Reichardt, EUA, 2008, 80' escolha de Ricardo Vieira Lisboa
Dia 2 21h30 Luz Silenciosa Carlos Reygadas, México, 2007, 136' escolha de Carlos Natálio
Dia 3 21h30 Tetro Francis Ford Coppola, EUA, 2009, 127' escolha de Chico
Dia 4 21h30 Vem e Vê Elem Klimov, URSS, 1985, 145' escolha de Victor Afonso
Dia 5 14h30 História(s) do Cinema Jean-Luc Godard, França, 1998, 268' escolha de Cristina Marti
Dia 5 21h30 Mesa-Redonda com os 5 bloggers
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sábado, março 5
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terça-feira, março 1
o blogger escreve sobre o filme que escolheu: LUZ SILENCIOSA
TEATRO LETHES, 4ªF, DIA 2 DE MARÇO, 21H30, 3€ (passe para os 5 filmes 10€)
Stellet Licht: a renovação de um milagre
A captação e retrato do movimento, uma obsessão marcante do Sec. XIX que teve o condão de unir cépticos e místicos em torno de inúmeras aparelhagens e técnicas, deixou perceber que o filão de onde nasceria o cinema revestiria na sua génese um ideal aglutinador: a ilusão de pôr a humanidade a ver a vida tal qual ela era. Se isso é um facto e sobre ele se aplicou à sétima arte o estatuto de arte popular, de massas, de fenómeno artístico do «mais um», também é verdade que no seu interior o cinema conteve sempre a génese da sua destruição, ou por outra, o momento fracturante em que o «um» recusa ser «mais um» e luta pelo estatuto de «outro».
O famoso final de Ordet, de Carl Dreyer, (1955) expressamente recriado em Stellet Licht, de Reygadas (2007), é um desses momentos. A «ressurreição» de Inger é um instante da História do Cinema que separa as águas e permite identificar quem «está com o cinema» e quem não está, quem incorpora, não sem dificuldade, os limites da descrença, do milagre, do descrédito, que trazem o cinema para dentro de um espaço onde o pensamento remói, reestrutura, transforma a identidade daqueles que o vêem.
Neste sentido, mais do que uma homenagem de Reygadas ao mestre dinamarquês e mais do que o exercício intelectual de perceber se é a comunidade Menonita mexicana (a comunidade anabatista com origem prussiana na época da Reforma que Stellet retrata) que potencia um ambiente apropriado para um «remake» da obra de Dreyer ou vice-versa, o importante é identificar o ponto de tensão de um filme de ritmo tão cerimonial. Stellet Licht enquadrado entre duas majestosas sequências do nascer e morrer de um dia, vive sempre na «angústia», na luta silenciosa, entre aquilo que é e aquilo que quer representar.
O que é que Stellet é? É o drama rural de Johan e da sua escolha entre duas mulheres, a esposa, Esther e a amante, Marianne, escolha entre a fé e a carne, o sagrado e o profano, o tema de Dreyer por excelência.
O que é que Stellet representa? Aqui é mais complicado avançar uma resposta. O filme de Reygadas, talvez represente o desejo de renovação de um «milagre». «Milagre» do cinema contemporâneo na potencialidade de fracturar esquemas sensoriais dominantes, na sua capacidade de parar o tempo, (como Johan que pára o relógio para o filme começar) e, ao contrário do que diz Marianne a Johan, ser capaz de «voltar atrás». Mas esse olhar para trás não nasce de uma imobilidade purista e nostálgica mas sim de necessidade de introduzir momentos de retrospecção que questionam, que tornam tortuosa a marcha triunfante que parece só levar o cinema em frente.
E essa luta apresentação/representação multiplica-se em vários pontos atravessando todo o filme. Os seus personagens representam, mas a stillness da sua direcção de actores ordena-lhes que, paradoxalmente, apenas sejam. A mise-en-scène decide representar o naturalismo da desordem (o affair), apresentando-o num contexto de simetria, quase autista, dos seus planos e composições. Depois, a apresentação do poder dos corpos - particularmente a ressurreição, «deus ex machina» final, que se converte num verdadeiro «deus ex corpo», o corpo da salvadora Marianne, na resolução do dilema da transcendência que o filme representa. E ainda os movimentos de câmara, particularmente os seus zooms lentos e planos fixos que ao «tremerem» na sua presença humana, representam o feixe de acções ritualistas, ora no pequeno-almoço ora no amor, mas nunca abandonam uma vontade primitivista, dir-se-ia, de comunicar. O espectador sente que Reygadas esteve lá, sempre lá. E a «need to feel» que Johan confessa ao pai que motivou o seu affair é também a nossa. Necessidade de sentir, é isso que o filme nos deixa como herança. Herança hoje cada vez mais, simultaneamente, leve e pesada.
Carlos Natálio
Carlos Natálio, 30 anos, nasceu em Lisboa e mora na Portela de Sacávem. É licenciado em cinema (Escola Superior de Teatro e Cinema) e também em Direito (Faculdade de Direito de Lisboa). Nos últimos anos, após a conclusão da licenciatura em cinema estagiou no Departamento de Programação da Cinemateca Portuguesa e foi bolseiro INOVART em Amesterdão onde desenvolveu junto da VISIONAT Media, uma produtora de cinema, as actividades de investigação e formação em novos métodos de distribuição cinematográfica numa lógica «do it yourself». De momento, frequenta o mestrado na Universidade Nova em Ciências da Comunicação - Ramo Cultura Contemporânea e Novos Media. Tem o blog Ordet desde 2009. Colaborou também como crítico de cinema para o site www.c7nema.net entre 2002 e 2009.
FICHA TÉCNICA
Título original: Stellet Licht
Título português: Luz Silenciosa
Realização: Carlos Reygadas
Argumento: Carlos Reygadas
Direcção de Fotografia: Alexis Zabe
Interpretação: Cornelio Wall, Miriam Toews, Maria Pankratz, Peter Wall, Elizabeth Fehr, Jacobo Klassen, Irma Thiessen, Alfred Thiessen, Daniel Thiessen, Utje Loewen, Jackob Loewen, Elisabeth Fehr, Gerardo Thiessen
Montagem: Natalia Lopez
Origem: México/ França/ Holanda/ Alemanha
Ano de Estreia: 2007
Duração: 136’
Stellet Licht: a renovação de um milagreA captação e retrato do movimento, uma obsessão marcante do Sec. XIX que teve o condão de unir cépticos e místicos em torno de inúmeras aparelhagens e técnicas, deixou perceber que o filão de onde nasceria o cinema revestiria na sua génese um ideal aglutinador: a ilusão de pôr a humanidade a ver a vida tal qual ela era. Se isso é um facto e sobre ele se aplicou à sétima arte o estatuto de arte popular, de massas, de fenómeno artístico do «mais um», também é verdade que no seu interior o cinema conteve sempre a génese da sua destruição, ou por outra, o momento fracturante em que o «um» recusa ser «mais um» e luta pelo estatuto de «outro».
O famoso final de Ordet, de Carl Dreyer, (1955) expressamente recriado em Stellet Licht, de Reygadas (2007), é um desses momentos. A «ressurreição» de Inger é um instante da História do Cinema que separa as águas e permite identificar quem «está com o cinema» e quem não está, quem incorpora, não sem dificuldade, os limites da descrença, do milagre, do descrédito, que trazem o cinema para dentro de um espaço onde o pensamento remói, reestrutura, transforma a identidade daqueles que o vêem.
Neste sentido, mais do que uma homenagem de Reygadas ao mestre dinamarquês e mais do que o exercício intelectual de perceber se é a comunidade Menonita mexicana (a comunidade anabatista com origem prussiana na época da Reforma que Stellet retrata) que potencia um ambiente apropriado para um «remake» da obra de Dreyer ou vice-versa, o importante é identificar o ponto de tensão de um filme de ritmo tão cerimonial. Stellet Licht enquadrado entre duas majestosas sequências do nascer e morrer de um dia, vive sempre na «angústia», na luta silenciosa, entre aquilo que é e aquilo que quer representar.
O que é que Stellet é? É o drama rural de Johan e da sua escolha entre duas mulheres, a esposa, Esther e a amante, Marianne, escolha entre a fé e a carne, o sagrado e o profano, o tema de Dreyer por excelência.
O que é que Stellet representa? Aqui é mais complicado avançar uma resposta. O filme de Reygadas, talvez represente o desejo de renovação de um «milagre». «Milagre» do cinema contemporâneo na potencialidade de fracturar esquemas sensoriais dominantes, na sua capacidade de parar o tempo, (como Johan que pára o relógio para o filme começar) e, ao contrário do que diz Marianne a Johan, ser capaz de «voltar atrás». Mas esse olhar para trás não nasce de uma imobilidade purista e nostálgica mas sim de necessidade de introduzir momentos de retrospecção que questionam, que tornam tortuosa a marcha triunfante que parece só levar o cinema em frente.
E essa luta apresentação/representação multiplica-se em vários pontos atravessando todo o filme. Os seus personagens representam, mas a stillness da sua direcção de actores ordena-lhes que, paradoxalmente, apenas sejam. A mise-en-scène decide representar o naturalismo da desordem (o affair), apresentando-o num contexto de simetria, quase autista, dos seus planos e composições. Depois, a apresentação do poder dos corpos - particularmente a ressurreição, «deus ex machina» final, que se converte num verdadeiro «deus ex corpo», o corpo da salvadora Marianne, na resolução do dilema da transcendência que o filme representa. E ainda os movimentos de câmara, particularmente os seus zooms lentos e planos fixos que ao «tremerem» na sua presença humana, representam o feixe de acções ritualistas, ora no pequeno-almoço ora no amor, mas nunca abandonam uma vontade primitivista, dir-se-ia, de comunicar. O espectador sente que Reygadas esteve lá, sempre lá. E a «need to feel» que Johan confessa ao pai que motivou o seu affair é também a nossa. Necessidade de sentir, é isso que o filme nos deixa como herança. Herança hoje cada vez mais, simultaneamente, leve e pesada.
Carlos Natálio
Carlos Natálio, 30 anos, nasceu em Lisboa e mora na Portela de Sacávem. É licenciado em cinema (Escola Superior de Teatro e Cinema) e também em Direito (Faculdade de Direito de Lisboa). Nos últimos anos, após a conclusão da licenciatura em cinema estagiou no Departamento de Programação da Cinemateca Portuguesa e foi bolseiro INOVART em Amesterdão onde desenvolveu junto da VISIONAT Media, uma produtora de cinema, as actividades de investigação e formação em novos métodos de distribuição cinematográfica numa lógica «do it yourself». De momento, frequenta o mestrado na Universidade Nova em Ciências da Comunicação - Ramo Cultura Contemporânea e Novos Media. Tem o blog Ordet desde 2009. Colaborou também como crítico de cinema para o site www.c7nema.net entre 2002 e 2009.
FICHA TÉCNICA
Título original: Stellet Licht
Título português: Luz Silenciosa
Realização: Carlos Reygadas
Argumento: Carlos Reygadas
Direcção de Fotografia: Alexis Zabe
Interpretação: Cornelio Wall, Miriam Toews, Maria Pankratz, Peter Wall, Elizabeth Fehr, Jacobo Klassen, Irma Thiessen, Alfred Thiessen, Daniel Thiessen, Utje Loewen, Jackob Loewen, Elisabeth Fehr, Gerardo Thiessen
Montagem: Natalia Lopez
Origem: México/ França/ Holanda/ Alemanha
Ano de Estreia: 2007
Duração: 136’
domingo, fevereiro 27
post de 1 de 5 bloggers: Tudo o Que Você Sempre Quis Saber Sobre Bloggers de Cinema [Mas Teve Medo de Perguntar]
(o senhor da palavra)
É já depois de amanhã, dia 1 de Março, que arranca o projecto «Carta Branca», iniciativa na qual o Teatro Municipal de Faro decide abrir a sua actividade e ordená-la de acordo com outros olhares artísticos.
Ao longo do ano, o Teatro convidará três profissionais ligados à programação cultural da cidade, um por trimestre, a apresentar um novo conceito de programação.
A primeira dessas pessoas é Anabela Moutinho, Presidente do Cineclube de Faro, que decidiu dedicar a sua actividade à relação entre a cinefilia e as plataformas de escrita digitais, os blogues de cinema.
Para tal concebeu um ciclo intitulado (ler)
É já depois de amanhã, dia 1 de Março, que arranca o projecto «Carta Branca», iniciativa na qual o Teatro Municipal de Faro decide abrir a sua actividade e ordená-la de acordo com outros olhares artísticos.
Ao longo do ano, o Teatro convidará três profissionais ligados à programação cultural da cidade, um por trimestre, a apresentar um novo conceito de programação.
A primeira dessas pessoas é Anabela Moutinho, Presidente do Cineclube de Faro, que decidiu dedicar a sua actividade à relação entre a cinefilia e as plataformas de escrita digitais, os blogues de cinema.
Para tal concebeu um ciclo intitulado (ler)
quinta-feira, fevereiro 24
post de 1 de 5 bloggers: A bimby de Danny Boyle
(o senhor da palavra)

Após a perversa lição de «mundividência» de SLUMDOG MILLIONAIRE, que deixou toda a gente nas palminhas, a ser «amigo» das culturas longínquas e pobrezinhas, Danny Boyle tinha em 127 HOURS um interessante teste à sua capacidade de redenção, sobretudo, porque a história verídica do aventureiro Aaron Ralston no qual se baseia o filme, é uma história de imobilidade. Em 2003, Aaron numa caminhada pelo Canyon no Utah, ficou com o braço preso numa rocha, no fundo de uma ravina durante cinco dias, num momento extremo de luta pela sobrevivência. Boyle juntamente com Simon Beaufoy, que já tinha escrito SLUMDOG, e o próprio Ralston que contou a sua experiência no romance BETWEEN A ROCK AND A HARD PLACE, colaboraram no argumento e escolheram James Franco para o papel de protagonista.
A imobilidade de Aaron, centro da tragédia, convoca uma passagem por diversos estádios: esperança, organização, desespero, luta pela sanidade, etc. Contudo, desde (ler)

Após a perversa lição de «mundividência» de SLUMDOG MILLIONAIRE, que deixou toda a gente nas palminhas, a ser «amigo» das culturas longínquas e pobrezinhas, Danny Boyle tinha em 127 HOURS um interessante teste à sua capacidade de redenção, sobretudo, porque a história verídica do aventureiro Aaron Ralston no qual se baseia o filme, é uma história de imobilidade. Em 2003, Aaron numa caminhada pelo Canyon no Utah, ficou com o braço preso numa rocha, no fundo de uma ravina durante cinco dias, num momento extremo de luta pela sobrevivência. Boyle juntamente com Simon Beaufoy, que já tinha escrito SLUMDOG, e o próprio Ralston que contou a sua experiência no romance BETWEEN A ROCK AND A HARD PLACE, colaboraram no argumento e escolheram James Franco para o papel de protagonista.
A imobilidade de Aaron, centro da tragédia, convoca uma passagem por diversos estádios: esperança, organização, desespero, luta pela sanidade, etc. Contudo, desde (ler)
domingo, fevereiro 13
Que estranho é este?
(o senhor da palavra)

Não é difícil de perceber a razão pela qual os últimos filmes de Woody Allen têm sido recebidos com distância pelo público que os tinha incorporado como extensão «intelectual» de um gosto mainstream que alegremente aligeirava tiques sociais, truques da vida urbana, convertendo-os em deliciosas psicopatias. Falamos claramente da sua fase post Sweet and Lowdown (1999), em que Allen ganhou consciência do seu próprio estilo e o que isso era capaz de fazer às pessoas. Desse encontro público/cineasta produziram-se obras mais despertas para a função comercial da marca Woody onde este programou, com sucesso diga-se, o improgramável: a veiculação erudita de um «defeito» de personalidade, ou por outra, um hipocondríaco que sabe sê-lo. Contudo, quem viu obras como Manhattan (1979), Hannah and Her Sisters (1986), Another Woman (1988), sabe que o universo do cineasta é (ler)

Não é difícil de perceber a razão pela qual os últimos filmes de Woody Allen têm sido recebidos com distância pelo público que os tinha incorporado como extensão «intelectual» de um gosto mainstream que alegremente aligeirava tiques sociais, truques da vida urbana, convertendo-os em deliciosas psicopatias. Falamos claramente da sua fase post Sweet and Lowdown (1999), em que Allen ganhou consciência do seu próprio estilo e o que isso era capaz de fazer às pessoas. Desse encontro público/cineasta produziram-se obras mais despertas para a função comercial da marca Woody onde este programou, com sucesso diga-se, o improgramável: a veiculação erudita de um «defeito» de personalidade, ou por outra, um hipocondríaco que sabe sê-lo. Contudo, quem viu obras como Manhattan (1979), Hannah and Her Sisters (1986), Another Woman (1988), sabe que o universo do cineasta é (ler)
quinta-feira, janeiro 13
O Talento do Título
segunda-feira, dezembro 13
"Mas se houver acidente fatal, darás vida por vida, olho por olho, dente por dente"
(o senhor da palavra)

Peter Strickland, 37 anos, admitiu nas conferências de imprensa de apresentação de Katalin Varga, co-produção inglesa, romena e húngara, pelo qual foi nomeado ao Urso de Ouro em Berlim no ano passado, que estava convencidíssimo que ia falhar, mas que se isso acontecesse mais valia fazê-lo “com estilo”. Percebe-se a angústia. Afinal não é todos os dias que um inglês, estreante na realização e sem formação em cinema, escreve uma história de vingança de uma mulher e depois decide ir filmá-la para a Transilvânia, com actores romenos e sem (ler)

Peter Strickland, 37 anos, admitiu nas conferências de imprensa de apresentação de Katalin Varga, co-produção inglesa, romena e húngara, pelo qual foi nomeado ao Urso de Ouro em Berlim no ano passado, que estava convencidíssimo que ia falhar, mas que se isso acontecesse mais valia fazê-lo “com estilo”. Percebe-se a angústia. Afinal não é todos os dias que um inglês, estreante na realização e sem formação em cinema, escreve uma história de vingança de uma mulher e depois decide ir filmá-la para a Transilvânia, com actores romenos e sem (ler)
domingo, dezembro 12
(o senhor da palavra)

Com estreia já na próxima semana em Portugal, o documentário que provocou um mini sismo na indústria americana de cinema, I’m Still Here, de Casey Affleck, permite pensar nalgumas questões que lhe servem de base.
A fabricação de uma controvérsia como... (continuar a ler)

Com estreia já na próxima semana em Portugal, o documentário que provocou um mini sismo na indústria americana de cinema, I’m Still Here, de Casey Affleck, permite pensar nalgumas questões que lhe servem de base.
A fabricação de uma controvérsia como... (continuar a ler)
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